skip to Main Content
contato@academiadeletrasdobrasil.org.br

O português e a norma culta

A norma culta é uma variação linguística importante para todos os falantes da língua portuguesa. É vista como a mais correta e desejável, por estar no meio escolar considerado elitizado, mas é preciso saber adequar seu uso com a instância comunicativa a ser escolhida em determinado momento da comunicação.

Quando o indivíduo nasce tem a oportunidade de, a partir do convívio familiar, entrar em contato com a língua oral. O sujeito espelha-se nesse modelo e a partir de seu convívio intimo aprende todas as formas e sutilezas da língua que sua família pratica, estando em cidade do interior ou na cidade grande, com pessoas de muita ou pouca escolaridade; a prática comunicacional começa na linguagem oral familiar. Estudos sobre variação linguística vão dizer que não há uma escolha certa ou errada dessa variação; o que há é a opção mais adequada ou menos adequada para cada situação discursiva a ser empregada; por exemplo, alguém num lugar em que há pouca escolarização, o professor, ou outro individuo, não poderá optar por escolher a forma culta da linguagem por não atingir a comunicação desejada; da mesma forma um professor de português, numa sala de aula, precisa exemplificar a norma culta na sua fala e escrita para que os alunos consigam perceber e apreender as diferenças.

Independentemente da condição social do individuo é a escolarização que oportuniza o sujeito a apropriar-se da norma culta e fazer uso dela quando for necessário. É direito do cidadão a apropriação das formas de comunicação para que ele tenha as mesmas condições de acesso e oportunidades de trabalho, numa sociedade cada vez mais exigente, com mercados que são movidos pela comunicação e que a cada dia valorizam mais a condição da pessoa para transmitir informações e conquistar seu espaço no mundo globalizado e comunicador, que traz o preconceito linguístico como entrave de oportunidades. Quem não conhece o culto e o coloquial não consegue escolher a melhor forma de comunicação e nem adaptar as escolhas lexicais aos contextos sociais ao seu redor.

Quando a escola consegue desempenhar seu papel de fomentar no sujeito as habilidades e competências necessárias para a sobrevivência no mercado de trabalho e na vida “real”, a primeira habilidade a ser vista é a de comunicação/interpretação de textos. As pessoas começam a perceber e a se preocuparem em observar novos modelos, gêneros e formas de falar diferentes e começam a escolher com autonomia a melhor forma de usar a língua em cada instância comunicativa: linguagem mais culta, mais formal; mais coloquial, menos formal; gírias em lugares restritos e o cuidado no ato da fala. Conversar em norma culta não é falar difícil, mas respeitar regências, concordâncias, conjugações verbais entre outros tópicos gramaticais para que se consiga fazer as melhores escolhas. As escolas precisam investir no ensino da gramática que parte do texto para significar contextos e situações especificas de comunicação e não em nomenclatura, pontos decorados e fora de contextos de fala e escrita. A produção textual parte do mesmo princípio e segue consolidando a aprendizagem dos alunos, independentemente de classe social ou locais de nascimento.

Carolina Santana

Professora de Língua Portuguesa
Membro Vitalício ALAC-BR